356 – “Eis me aqui, envia-me”

No final de julho desse ano eu tive uma das melhores oportunidades da minha vida. Fui à Jornada Mundial da Juventude, uma dessas coisas que você não consegue descrever para as pessoas. Não foi nenhum Woodstock mas foi marcante para quem é jovem e católico.  Nunca passar perrengue valeu tanto a pena. Cada bandeira de um país que eu via ficava que nem criança.  Ver que a Igreja Católica tem o poder de concentrar tanta gente foi inspirador e emocionante.

Atualmente eu sou coordenadora do Grupo de Jovens de minha igreja. Essa sempre foi uma vontade muito grande minha. Meus pais fizeram parte de uma juventude muito ativa e eram líderes. Eles faziam muitas ações sociais, conviviam demais entre eles. Viajavam, cantavam, se aventuravam. Tudo isso sobre o manto da igreja. Eu queria isso para mim. Devo ter visualizado isso zilhões de vezes.

Não imaginava que as coisas iam ser tão difíceis e prazerosas.  Eu abracei a “causa” com tanta vontade e nem penso em largar o osso tão fácil.  É difícil criar um espaço em que os jovens sejam bem aceitos e se sintam a vontade em uma comunidade que não tem essa tradição.  Existe desconfiança quanto ao comprometimento.  Mas quando decidem dar a brecha, a intenção é ir com tudo. O retorno que eu tenho dos jovens é gratificante. Esse, aliás, é um dos meus menores problemas.

Eu sinto uma grande dificuldade de chegar na”galerinha”. Nada parece legal o suficiente para eles. Conversar com eles é um suplício,  porque parecem umas caixinhas vazias. Fazer a ponte e traze-los para o ponto em que eu PRECISO que eles cheguem é uma jornada quase frustrante. A vontade é abrir o crânio deles a força e encher de coisa.  Adoro quando alguma faísca consegue acender uma chama, por menor que ela possa parecer, porque eu vejo que eles querem algo e eu quero tentar dar esse algo.

Não sei porque são assim. Raramente trato de assuntos “religiosos” por saber que isso não é muito do interesse deles.  E o que será do interesse deles, então? Nem posso dizer que é culpa da geração deles. Toda geração tem sua parcela de pessoas desligadas.  A impressão que tenho é que na galera de 15,16 anos e abaixo as coisas estão cada vez mais perdidas.

Tudo que eu faço para o grupo é pensado com carinho.  Queria ver los evoluindo como seres humanos.  São meus pupilos. Estar com eles é como me manter atualizada! Tenho por cada um carinho de irmã mais velha. Meu desejo é que eles sintam o  sopro de vida, o querer viver além do determinado e do esperado. Abraçar o mundo como se ele fosse o maior mistério a ser resolvido….

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