355 – Com licença, por favor e obrigada.

Viver é cada vez mais um teste de sobrevivência/paciência.

Não sei bem o que acontece.  E acho que para o que vemos acontecer hoje são vários fatores.

Pode ser que em outras cidades as pessoas funcionem diferente.  Infelizmente só posso escrever com conhecimento de causa com o que eu vejo ao me redor.

Em São Paulo é tudo corrido. E é tudo individual. Eu, eu, eu. E nesse ambiente as pessoas perderam o jeito de lidar com outras pessoas ou perderam a capacidade de ver as outras pessoas.

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A nossa falta de educação já começa na “preguiça” de olhar nos olhos de outras pessoas quando falamos com ela. Convivemos lado a lado por muito tempo com as pessoas e muitas vezes nem falamos um “oi”. Não somos mais abertos para que os outros se sintam confortáveis de estar perto de nós mesmos.

As pessoas gritam por aí o que querem sem dar atenção ao que o outro diz. Não sabemos pedir as coisas com educação,  como se o “com licença” fosse algo que nos tornasse fracos -ou humanos. Xingamos sem motivo alguém que nunca vimos na vida só porque esbarrou na gente. E esquecemos de agradecer quando alguém faz algo por nós. 

Faz um tempo que passei a agradecer, desejar bom descanso ou bom serviço a qualquer funcionário de estabelecimentos em que vou, motoristas de ônibus e etc. É surpreendente que a maioria das pessoas faz uma cara de espanto.

Me pergunto como chegamos nisso. Será que é a pressa que temos para fazer tudo, para conquistar tudo? Como somos levados a acreditar que o que importa somos apenas nós mesmos? “Eu tenho que estar confortável com a minha mochila no ombro tampando a passagem no ônibus”.

Nem mesmos as crianças conseguem ser educadas.  Tem crianças que acham que todos são criados dela ou que só a vontade dela que conta. E é assim que perdemos o nosso “por favor”, que nunca machucou ninguém. 

Fico imaginando qual será nosso futuro.  Seremos uma civilização cada vez mais fragmentada?  Perderemos a capacidade de ver não só os que estão próximos mas todos são humanos merecem ser tratados bem? Eu espero que não.  😉

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