360 – Cabelos brancos.

Eu ainda não tenho cabelo branco, embora conheça uma pancada de gente da minha idade que tem – inclusive meu namorado. O que importa na verdade é que um dia a grande maioria das pessoas chega nesse estágio da vida. Nós que somos jovens vemos a velhice como uma fase tranquila da vida. Filhos criados, aposentadoria, “privilégios” só porque conseguimos chegar em determinada idade. Sempre que se fala em velhinhos, imaginamos pessoas calmas, sentadas em um branco da praça e qualquer coisa desse gênero.

Depois que eu meu avô faleceu, no finalzinho de maio desse ano, eu vim morar com a minha avó. Eu e a minha prima de 13 anos. Qual foi o critério de escolha? Nós duas sempre fomos mais próximas dela, até porque ela fica acordada a madrugada toda e só nós duas temos pique para isso ( eu nem tanto desde que comecei a trabalhar). A minha avó tem tudo para ser essa velhinha de vida calma que eu descrevi acima. Só que ela vive preocupada. Preocupada com todos nós, com a solidão, com a sua saúde, com sua utilidade, com a morte. Quase sempre ela está bem, falando pelos cotovelos, contando histórias, rindo e em outros momentos ela fica com um olhar longe, caladinha, pensativa… Queria muito saber o que se passa na cabeça dela nesses momentos.

Hoje em dia, graças aos avanços da medicina, vivemos mais tempo. Será que ganhamos com isso? Talvez, o prazer de ver nossos “genes” se perpetuando em filhos, netos, bisnetos. O Brasil não é um país modelo em tratamento dos idosos. Acredito que isso acontece porque temos ainda muitos jovens e só recentemente o número de idosos começou a aumentar. Não entendo famílias que maltratam seus idosos. Eles nem sempre são pessoas fáceis de lidar, porém merecem um tratamento digno. Os idosos hoje se aventuram mais já que estão na idade em que todas as batalhas da juventude ficaram para trás. Vão para os bailes, viajam, resolver participar de atividades físicas. Superam muitas vezes, nós, os jovens, na vontade de viver a vida.

O que eu quero dizer é que nós pensamos muito no agora. Em tudo que temos que resolver nesse momento das nossas vidas. Raríssimas vezes vejo pessoas da minha idade pensando em como vão e querem viver quando essa maluquice acabar, como lidar com os problemas dessa fase. Quando não houver emprego ou muitas outras obrigações. Parece que só vamos viver só até os 50!

Você já pensou no que vai fazer da sua vida após os 50?

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361 – Eu tenho a força!

Faz quase um ano que eu comecei academia. Fui levada a isso não só por estética ou por necessidade médica. Se você chegar a ler um edital de QUALQUER Polícia (tirando cargos administrativos) terá uma parte ” TESTE DE APTIDÃO FÍSICA”. Eu simplesmente gelei ao ver. Desde que eu tinha começado a faculdade, atividades físicas não eram exatamente uma coisa que eu me prestasse a fazer, basicamente por preguiça e falta de necessidade, ou seja, andava de mãos dadas por aí com meu sedentarismo, feliz da vida! Só que não dá para trabalhar para a polícia de maneira mais “ativa” sem antes passar por esse teste que avalia suas condições físicas. Então, eu tive que encarar…

Não tive uma vida toda sedentária. Eu fiz balé, natação, basquete na infância/adolescência. Alias, sempre fui apaixonadíssima pela natação <3. Nada que precisasse fazer muita força ou qualquer esforço. A ideia de pegar pesos para mim era algo totalmente desnecessário. Quando eu vi que não tinha saída e decidi ir não coloquei muita fé em mim. Eu sou do tipo meio preguiçoso, meio acomodada, admito. Essa história de ficar fazendo um esforço danado para levantar 300 mil quilos sempre me pareceu meio fútil.

Depois que eu comecei, porque não tinha escapatória, aos poucos fui percebendo as melhoras. Aos poucos fui ficando mais resistente, mais disposta, o corpo ficando mais firme e com formas mais bonitas. Deixou de ser algo que eu estava fazendo por mera obrigação.  Comecei a competir comigo mesma. Se eu recebo minha rotina nova de exercícios e está lá que eu devo começar com 5 quilos, eu tento subir os pesos o mais rápido possível, dar o melhor de mim. Fazer academia me fez acreditar que eu posso ir além dos limites que eu mesma me imponho. Eu jamais achava que um dia ia conseguir pegar um peso de mais de 5 quilos. A gente faz isso mesmo, né? Coloca essas barreiras e acredita tão forte nelas que elas se tornam verdade e deixam a gente sem a minima vontade de nem tentar, achando que estamos fadados a falhar.

Eu ainda não consegui transpor para toda minha vida essa força de vontade que eu tenho na academia. Queria mesmo acreditar que eu posso ir além do que todos enxergam para mim e do que eu mesma enxergo. Mas isso é difícil. São tantos  ideais que são impostas por nós e para nós que sempre parece impossível que vamos chegar lá. Sempre parece que você é o último corredor na pista, aquele que ninguém vai se dar o trabalho de ver cruzando a linha de chegada…

Só espero que um dia eu encare os desafios da vida como eu encaro os desafios da academia.

362 – A vida como ela é.

Infelizmente, comemorações e passeios não duram eternamente. Para garantir que esses deliciosos momentos aconteçam temos que fazer algumas coisas bem menos legais na maior parte do tempo. Vou passar aqui o relato de um dia de semana comum, em que eu sou uma mera mortal – coisa muito ruim de se perceber aliás.

06h20: horário que eu costumo a levantar, sempre sobre protestos mentais. O correto mesmo seria acordar quase 1h antes, para me arrumar com calma e sair de casa em um horário confortável.

06h50 – 07h50: tempo que eu fico na lotação (nome mais do que apropriado) para chegar no metrô,  que é apenas a 6 km da minha casa. Agradeço todos os dias por passar bem longe da famigerada Linha Vermelha ( Oeste – Leste).

08h20: Horário que eu chego na Faculdade de Medicina, sempre 20 minutos atrasada. Minha supervisora não parece ligar muito, desde que o atraso não seja um absurdo ( o que faz com que eu seja meio despreocupada).

08h20 – 12h : durante esse horário não tem exatamente uma rotina. Quando estou em experimento ou qualquer atividade mais prática, eu adoro porque o tempo passa rápido e é gostoso ver as coisas acontecerem. Quando não tem experimento eu sou “obrigada” a fazer coisas mais burocráticas: ler artigos científicos, escrever alguma cisa da monografia e por ai vai…

12h- 13h: hora do sagrado e maravilhoso almoço. Gasto em média 20 minutos para comer e os outros 40 minutos para fazer qualquer outra coisa ( fazer os rascunhos do Chegando aos 25, por exemplo, hehehe). Muitas vezes eu volto para o laboratório e tenho minha hora de descanso olhando bobagem na Internet.

13h – 17h: momento mais sofrido do dia, quando eu não estou em experimento. Começa a dar uma agonia louca, uma gastura de ver  relógio dando 17h horas logo…

17h – 19h:  tempo que eu levo para voltar para casa. São dois ônibus (porque a grana é curta) e às vezes pego muito trânsito. Passo esse tempo lendo, dormindo, vendo seriado ou apenas não pensando em nada, vegetando mesmo.

19h – 22h/23h: chegar em casa é um alivio. Entretanto, as horas voam, começo a conversar com a minha família e quando eu vejo está na hora de deitar e o dia termina. 😦

E no outro dia tudo acontece quase 100% igual… E assim caminha a humanidade, com passos de formiga e sem vontade, como diria Lulu Santos. Algumas vezes da vontade de rasgar esse roteiro maldito e nas outras vezes, a gente vai só seguindo o fluxo, deixando tudo isso (trânsito, transporte cheio, trabalho, ter que ganhar dinheiro) engolir a gente, deixando um pedacinho de nós morrer a cada dia. Mas, que saída podemos dar para tal situação?

363 – A Fé.

Seguindo a trilogia do meu aniversário, hoje foi dia de viagem. Uma viagem bem familiar: eu, avó, mãe, primas, tia e meu namorado (um intruso no meio da mulherada, hehe), para fechar o período em contato com o primeiro núcleo de todo ser humano. Mesmo com poucas horas de sono (cerca de 4 horas, sem contar o atrasado das outras noites) eu estava animada, pois o lugar tem lá  o seu charme, seja arquitetônico, seja religioso.

Localizada a cerca de 173 km de São Paulo, na cidade de Aparecida, está a Básilica de Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil. A maior basílica do Brasil e um dois maiores santuários Marianos do mundo. Sei que tenho muitos amigos, colegas, conhecidos que torcem o nariz para religião (ainda mais católica). Se vocês um dia estiverem por perto visitem a Basílica, independente disso. Garanto que o visual vale o “sacríficio”.

Quem for católico, mesmo que não seja praticante, visite um dia também. Aparecida do Norte é um daqueles lugares que tocam você, de você sentir arrepio. Eu, apesar de ser toda mordenete, sou bastante ligada a religião. Demorei um pouco de me sentir em paz com isso, admito. Quando senti no meu coração que estava pronta, eu fui. Para mim, não é só assistir a missa, balançar a cabeça para o que o padre diz e levantar e sentar do banco. Como disse o Papa Francisco durante a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), a Igreja tem que ser além do espaço físico, dos nossos medos pessoais. Cresci ouvindo que o que me torna uma boa católica é a maneira com que eu amo o próximo. Isso, para mim, é respeitar, coisa muito difícil de fazer hoje em dia devido as várias imagens errôneas que nos são transmitidas.

Procuro evitar conversar sobre religiões, até por acreditar que cada uma tem suas verdades que não podem ser negadas só pelo simples fato de eu não acreditar. Tenho muita curiosidade sobre as outras religiões, o que pensam e classificam como divino, que pode ser quase tudo (até o Grande Elétron como diz meu namorado), Acho triste que tantas vidas se percam e tanta gente seja levada a fazer coisas ruins ou só desnecessárias por conta disso. A religião é um meio de conhecer a si mesmo, de se elevar, seja ela qual for.

Obs.: Fotos tiradas durante a minha visita a Aparecida, pelo meu namorado.

364 – Jóia Rara

Uma das chaves para uma boa vida, na minha opinião, são os amigos. Eu sou do tipo que defende os amigos com unhas e dentes, faço o que estiver no meu alcance por eles e até um pouco mais, se necessário. Muita gente diz que não se pode por amão no fogo por ninguém, que as pessoas se aproximam por interesses, para te apunhalar pelas costas e tudo mais.  Nesses 24 anos de vida nunca tive problemas com meus amigos. Não estou falando de conhecidos ou meros colegas. Falo daquelas pessoas com a quais você divide sua vida, pede e dá conselhos, compartilha tudo. Por parte desses nunca tive uma decepção, nunca precisei me desfazer por sentir traída/usada. Posso dizer com toda certeza que meus amigos são as pessoas mais confiáveis do mundo.

Não vou mentir que nem sempre é um mar de rosas. Se tratando de pessoas diferentes, apesar do grande número de afinidades, há opiniões que são divergentes e isso quer dizer que haverão embates (ainda mais se forem personalidades fortes). Quando estou em uma dessas discussões acaloradas com meus amigos e vejo que nenhuma das duas opiniões será mudada, estendo a bandeira banca e move on. Isso é o tal chamado respeito e eu acredito que é um dos ingredientes essenciais ara ter uma amizade sólida junto com a confiança. Porque para cair na zoeira e outras coisas superficiais sempre tem alguém disponível e nem sempre é alguém tão próximo.

Com meu aniversário, eu sempre fico tocada com meus amigos. Tem gente que eu não falo direito há anos, mas que sempre deixa um recadinho, do tipo “ei, não esqueci de você”. Esse ano dois amigos muito queridos fizeram uma montagem de fotos nossas com textinhos carinhosos e uma outra amiga viajou cerca de 100 km para estar comigo. Não posso esquecer dos que compareceram na festa “oficial” com presentes materiais e presentes não materiais ( abraços, palavras afetuosas, risadas e histórias compartilhadas). Muitas vezes eu me acho muito sozinha, como se não fosse importante para ninguém nesse mundo. E essa sensação aumenta quando observo no Facebook gente que posta fotos com os amigos direto. Infelizmente, meus amigos ou moram longe, ou estão com seus próprios problemas para resolver e vidas para tocarem e até tudo isso junto. Mas eu sei que se eu precisar eu posso contar com eles, sem medo.

Obrigada a vocês, amigos, por me lembrarem nesse dia que do mesmo jeito que vocês deixam suas marcas em mim, eu também consigo fazer isso.

 

365 – O Porquê

Não sei dizer quando a obsessão com os 25 anos começou. Para mim, ela está no meu subconsciente desde sempre, mesmo tendo mudado o cenário desejado para a tal ocasião algumas vezes. Lá pelos meus 11-13 anos, o meu eu de 25 anos seria uma médica, já bem resolvida com a maior parte dos problemas triviais de uma vida adulta, morando no seu próprio apartamento, rodando por aí com seu próprio carro cheia de lugares legais para ir, eventos importantes para comparecer. Aí pelos 16-18 anos não era mais médica. Passei a desejar ser biomédica, trabalhando para resolver mistérios, uma vida relativamente estável, não necessariamente motorizada, acabando um curso em uma faculdade do exterior onde eu conheceria muita gente diferente. E, depois dessa fase, parei de me preocupar com os 25 anos. Afinal, estava longe e eu não deveria me preocupar tanto. Não teria como dar “errado” eu achava.

Uma outra questão sobre os 25 anos era ter A festa! Eu gosto de festas. Demais até. Ainda mais se for de aniversário. Quem me conhece sabe que meus aniversários NUNCA passam em branco. Pensemos  bem: 25 anos é uma idade em que você já é considerado apto a ser adulto, chegou no patamar e maturidade necessário para não duvidarem tanto de você, é 1/4 de vida! Sempre imaginei que estaria no melhor quando o dia chegasse. Bonita e profissionalmente encaminhada, principalmente. E pronta para celebrar tudo de bom que passou, tudo de ruim que me fez crescer e tudo que ainda pode acontecer acompanhada de todas as pessoas ( ou maior número possível delas) que fizeram parte disso. Foi duro perceber que por uma sucessão de eventos e escolhas que cheguei aos 24 anos um tanto longe do que sonhava. Muitos podem criticar essa coisa de “busca da felicidade” dizendo que é coisa propagada pela mídia. Eu não espero não ter problemas, dificuldades, dias em que eu simplesmente não esteja com humor/vontade. Só não quero chegar mais a frente na vida e virar uma carrancuda que só reclama. Aquele tipo de pessoa que desconta suas frustrações nos outros. Não excluo a possibilidade de estar sonhando alto demais e sem coragem de reajustar o meu sonho para até onde eu possa ir. Não posso saber sem nem tentar. Para mim, os 25 anos são justamente um ponto quase decisivo entre o que queremos e o que vamos fazer.

Não sei se estou pronta. Principalmente emocionalmente. Entretanto sei que é preciso fazer algo além de sentar e chorar. Algum caminho dessa encruzilhada precisa ser escolhido. E quem quiser acompanhar… Bem vindo à bordo.