362 – A vida como ela é.

Infelizmente, comemorações e passeios não duram eternamente. Para garantir que esses deliciosos momentos aconteçam temos que fazer algumas coisas bem menos legais na maior parte do tempo. Vou passar aqui o relato de um dia de semana comum, em que eu sou uma mera mortal – coisa muito ruim de se perceber aliás.

06h20: horário que eu costumo a levantar, sempre sobre protestos mentais. O correto mesmo seria acordar quase 1h antes, para me arrumar com calma e sair de casa em um horário confortável.

06h50 – 07h50: tempo que eu fico na lotação (nome mais do que apropriado) para chegar no metrô,  que é apenas a 6 km da minha casa. Agradeço todos os dias por passar bem longe da famigerada Linha Vermelha ( Oeste – Leste).

08h20: Horário que eu chego na Faculdade de Medicina, sempre 20 minutos atrasada. Minha supervisora não parece ligar muito, desde que o atraso não seja um absurdo ( o que faz com que eu seja meio despreocupada).

08h20 – 12h : durante esse horário não tem exatamente uma rotina. Quando estou em experimento ou qualquer atividade mais prática, eu adoro porque o tempo passa rápido e é gostoso ver as coisas acontecerem. Quando não tem experimento eu sou “obrigada” a fazer coisas mais burocráticas: ler artigos científicos, escrever alguma cisa da monografia e por ai vai…

12h- 13h: hora do sagrado e maravilhoso almoço. Gasto em média 20 minutos para comer e os outros 40 minutos para fazer qualquer outra coisa ( fazer os rascunhos do Chegando aos 25, por exemplo, hehehe). Muitas vezes eu volto para o laboratório e tenho minha hora de descanso olhando bobagem na Internet.

13h – 17h: momento mais sofrido do dia, quando eu não estou em experimento. Começa a dar uma agonia louca, uma gastura de ver  relógio dando 17h horas logo…

17h – 19h:  tempo que eu levo para voltar para casa. São dois ônibus (porque a grana é curta) e às vezes pego muito trânsito. Passo esse tempo lendo, dormindo, vendo seriado ou apenas não pensando em nada, vegetando mesmo.

19h – 22h/23h: chegar em casa é um alivio. Entretanto, as horas voam, começo a conversar com a minha família e quando eu vejo está na hora de deitar e o dia termina. 😦

E no outro dia tudo acontece quase 100% igual… E assim caminha a humanidade, com passos de formiga e sem vontade, como diria Lulu Santos. Algumas vezes da vontade de rasgar esse roteiro maldito e nas outras vezes, a gente vai só seguindo o fluxo, deixando tudo isso (trânsito, transporte cheio, trabalho, ter que ganhar dinheiro) engolir a gente, deixando um pedacinho de nós morrer a cada dia. Mas, que saída podemos dar para tal situação?

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363 – A Fé.

Seguindo a trilogia do meu aniversário, hoje foi dia de viagem. Uma viagem bem familiar: eu, avó, mãe, primas, tia e meu namorado (um intruso no meio da mulherada, hehe), para fechar o período em contato com o primeiro núcleo de todo ser humano. Mesmo com poucas horas de sono (cerca de 4 horas, sem contar o atrasado das outras noites) eu estava animada, pois o lugar tem lá  o seu charme, seja arquitetônico, seja religioso.

Localizada a cerca de 173 km de São Paulo, na cidade de Aparecida, está a Básilica de Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil. A maior basílica do Brasil e um dois maiores santuários Marianos do mundo. Sei que tenho muitos amigos, colegas, conhecidos que torcem o nariz para religião (ainda mais católica). Se vocês um dia estiverem por perto visitem a Basílica, independente disso. Garanto que o visual vale o “sacríficio”.

Quem for católico, mesmo que não seja praticante, visite um dia também. Aparecida do Norte é um daqueles lugares que tocam você, de você sentir arrepio. Eu, apesar de ser toda mordenete, sou bastante ligada a religião. Demorei um pouco de me sentir em paz com isso, admito. Quando senti no meu coração que estava pronta, eu fui. Para mim, não é só assistir a missa, balançar a cabeça para o que o padre diz e levantar e sentar do banco. Como disse o Papa Francisco durante a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), a Igreja tem que ser além do espaço físico, dos nossos medos pessoais. Cresci ouvindo que o que me torna uma boa católica é a maneira com que eu amo o próximo. Isso, para mim, é respeitar, coisa muito difícil de fazer hoje em dia devido as várias imagens errôneas que nos são transmitidas.

Procuro evitar conversar sobre religiões, até por acreditar que cada uma tem suas verdades que não podem ser negadas só pelo simples fato de eu não acreditar. Tenho muita curiosidade sobre as outras religiões, o que pensam e classificam como divino, que pode ser quase tudo (até o Grande Elétron como diz meu namorado), Acho triste que tantas vidas se percam e tanta gente seja levada a fazer coisas ruins ou só desnecessárias por conta disso. A religião é um meio de conhecer a si mesmo, de se elevar, seja ela qual for.

Obs.: Fotos tiradas durante a minha visita a Aparecida, pelo meu namorado.

364 – Jóia Rara

Uma das chaves para uma boa vida, na minha opinião, são os amigos. Eu sou do tipo que defende os amigos com unhas e dentes, faço o que estiver no meu alcance por eles e até um pouco mais, se necessário. Muita gente diz que não se pode por amão no fogo por ninguém, que as pessoas se aproximam por interesses, para te apunhalar pelas costas e tudo mais.  Nesses 24 anos de vida nunca tive problemas com meus amigos. Não estou falando de conhecidos ou meros colegas. Falo daquelas pessoas com a quais você divide sua vida, pede e dá conselhos, compartilha tudo. Por parte desses nunca tive uma decepção, nunca precisei me desfazer por sentir traída/usada. Posso dizer com toda certeza que meus amigos são as pessoas mais confiáveis do mundo.

Não vou mentir que nem sempre é um mar de rosas. Se tratando de pessoas diferentes, apesar do grande número de afinidades, há opiniões que são divergentes e isso quer dizer que haverão embates (ainda mais se forem personalidades fortes). Quando estou em uma dessas discussões acaloradas com meus amigos e vejo que nenhuma das duas opiniões será mudada, estendo a bandeira banca e move on. Isso é o tal chamado respeito e eu acredito que é um dos ingredientes essenciais ara ter uma amizade sólida junto com a confiança. Porque para cair na zoeira e outras coisas superficiais sempre tem alguém disponível e nem sempre é alguém tão próximo.

Com meu aniversário, eu sempre fico tocada com meus amigos. Tem gente que eu não falo direito há anos, mas que sempre deixa um recadinho, do tipo “ei, não esqueci de você”. Esse ano dois amigos muito queridos fizeram uma montagem de fotos nossas com textinhos carinhosos e uma outra amiga viajou cerca de 100 km para estar comigo. Não posso esquecer dos que compareceram na festa “oficial” com presentes materiais e presentes não materiais ( abraços, palavras afetuosas, risadas e histórias compartilhadas). Muitas vezes eu me acho muito sozinha, como se não fosse importante para ninguém nesse mundo. E essa sensação aumenta quando observo no Facebook gente que posta fotos com os amigos direto. Infelizmente, meus amigos ou moram longe, ou estão com seus próprios problemas para resolver e vidas para tocarem e até tudo isso junto. Mas eu sei que se eu precisar eu posso contar com eles, sem medo.

Obrigada a vocês, amigos, por me lembrarem nesse dia que do mesmo jeito que vocês deixam suas marcas em mim, eu também consigo fazer isso.

 

365 – O Porquê

Não sei dizer quando a obsessão com os 25 anos começou. Para mim, ela está no meu subconsciente desde sempre, mesmo tendo mudado o cenário desejado para a tal ocasião algumas vezes. Lá pelos meus 11-13 anos, o meu eu de 25 anos seria uma médica, já bem resolvida com a maior parte dos problemas triviais de uma vida adulta, morando no seu próprio apartamento, rodando por aí com seu próprio carro cheia de lugares legais para ir, eventos importantes para comparecer. Aí pelos 16-18 anos não era mais médica. Passei a desejar ser biomédica, trabalhando para resolver mistérios, uma vida relativamente estável, não necessariamente motorizada, acabando um curso em uma faculdade do exterior onde eu conheceria muita gente diferente. E, depois dessa fase, parei de me preocupar com os 25 anos. Afinal, estava longe e eu não deveria me preocupar tanto. Não teria como dar “errado” eu achava.

Uma outra questão sobre os 25 anos era ter A festa! Eu gosto de festas. Demais até. Ainda mais se for de aniversário. Quem me conhece sabe que meus aniversários NUNCA passam em branco. Pensemos  bem: 25 anos é uma idade em que você já é considerado apto a ser adulto, chegou no patamar e maturidade necessário para não duvidarem tanto de você, é 1/4 de vida! Sempre imaginei que estaria no melhor quando o dia chegasse. Bonita e profissionalmente encaminhada, principalmente. E pronta para celebrar tudo de bom que passou, tudo de ruim que me fez crescer e tudo que ainda pode acontecer acompanhada de todas as pessoas ( ou maior número possível delas) que fizeram parte disso. Foi duro perceber que por uma sucessão de eventos e escolhas que cheguei aos 24 anos um tanto longe do que sonhava. Muitos podem criticar essa coisa de “busca da felicidade” dizendo que é coisa propagada pela mídia. Eu não espero não ter problemas, dificuldades, dias em que eu simplesmente não esteja com humor/vontade. Só não quero chegar mais a frente na vida e virar uma carrancuda que só reclama. Aquele tipo de pessoa que desconta suas frustrações nos outros. Não excluo a possibilidade de estar sonhando alto demais e sem coragem de reajustar o meu sonho para até onde eu possa ir. Não posso saber sem nem tentar. Para mim, os 25 anos são justamente um ponto quase decisivo entre o que queremos e o que vamos fazer.

Não sei se estou pronta. Principalmente emocionalmente. Entretanto sei que é preciso fazer algo além de sentar e chorar. Algum caminho dessa encruzilhada precisa ser escolhido. E quem quiser acompanhar… Bem vindo à bordo.